REVISTA ITEM - 98

Editorial - BONS DESAFIOS

É difícil deslumbrar cadeias de negócios que proporcionem ações políticas voltadas para geração de empregos, a custos tão baixos, quanto as com base na agricultura irrigada. São disponibilizados muitos postos de trabalhos para os que não tiveram oportunidades de educação formal. O comprometimento com o capricho, com o bom comportamento, como nos tratos culturais de diversas espécies, supervisão de equipamentos, podas, capinas, colheitas, bem como esteiras para seleção de frutas, hortaliças e outros produtos que atendam requisitos de exigentes mercados, é o requerimento para esses empregos. O fazer bem-feito abre esse diferenciado leque de oportunidades de postos de trabalhos e ocupações ao longo de todo o ano, quando se viabilizam empreendimentos com base na agricultura irrigada.

Com a maior produção por área e por homem, mais atividades e negócios ao longo de todo o ano, a distribuição de benefícios e riquezas ocorre, direta ou indiretamente, nas cadeias produtivas e comerciais. As empresas âncoras, as cooperativas e outras organizações, independentemente do porte de seus integrados, podem fechar melhores negócios e garantir melhores aferições de renda. O alcance socioeconômico pode ser aquilatado também pela irrigação de uma pequena horta, sempre a garantir a melhor nutrição. A produtividade da água é de incomensurável valor e é um vetor de positivas mudanças.

No torvelinho dessas cadeias de valores, conhecer e explorar sabiamente os recursos naturais e as vantagens comparativas brasileiras, é estar permanentemente na interdisciplinaridade. São os bons desafios, as boas provocações que precisam permear, cada vez mais, no seio das universidades e dos outros organismos de pesquisas. As exigências por mais conhecimentos, tecnologias, inovações e, principalmente, por melhor entendimento dessas oportunidades de negócios, precisam florescer fortemente no âmbito dos programas de pós- -graduação. Buscar a excelência é um bom desafio.

O Brasil, com uma cultura arraigada de agricultura de sequeiro, vem-se despertando para as vantagens da agricultura irrigada. Visualiza-se um melhor equilíbrio dos negócios nos territórios, nasbacias hidrográficas, nos municípios e nas propriedades. As sofridas, recorrentes e duras perdas, principalmente pelo déficit hídrico, fazem da agenda em favor da melhor e maior reservação das águas e das oportunidades que se descortinam em usá-las na produção de alimentos, de fibras e de energia, um grande e estratégico mote.

Assim, ao refletir sobre a produtividade da água em harmonia com a natureza, com taxas de fotossíntese sendo maximizadas por adequados manejos de irrigação e de drenagem, desperta-se para as fantásticas vantagens comparativas brasileiras. Ao poder transformar a abundante energia luminosa em energia química, proporcionar a oferta de incomparáveis leques de produtos para garantir maior segurança alimentar, energética e de suprimento de fibras, com geração de mais riquezas e mais empregos, a sociedade brasileira está diante de um bom desafio, ou seja, o de melhor impulsionar a agricultura irrigada para lograr mais prosperidade.

A programação do XXIII Conird, com o privilégio de ter Luis Eduardo Magalhães como sede para realização deste evento, e a região Oeste da Bahia, com o aquífero Urucuia a motivar a todos sobre a ímpar riqueza hídrica brasileira, conta com o concurso de brilhantes colaboradores.

Esta edição da ITEM é fruto dessas colaborações e de muitas parcerias. Retrata uma indelével junção de esforços da AIBA e da Prefeitura de Luis Eduardo Magalhães, para ombrear a realização do XXIII Conird e podermos atender, prestar contas e agradecer a todos que investiram em mais esta parceria anual da ABID. Trata-se de mais um histórico marco a ser celebrado, nessa parceria com a Bahia em 2013. Um Estado com exemplares empreendimentos na agricultura irrigada, e muito a contribuir para o desenvolvimento do Brasil.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid