REVISTA ITEM - 91

Editorial - AS OPORTUNIDADES DE EMPREENDEDORISMO COM A AGRICULTURA IRRIGADA

O empreendedorismo com a agricultura irrigada precisa permear de todas as formas. Seja para descortinar inovações e fazê-las prosperar no seio dos mais diversos negócios, seja para permanente capacitação dos diversos agentes que atuam nas cadeias de valores, que têm a água como o vetor para essas grandes transformações. Estar em Petrolina, para realização do XXI Conird, é muito instigador. É vivenciar marcantes exemplos de empreendedorismo, de avanços socioeconômicos, de boas práticas e de muitos desafios econômicos, científicos e de logística a serem vencidos. É motivo para reflexões, superar dificuldades e prosperar diante de um mundo ávido por alimentos,fibras,energia e outros bens.

A primeira reflexão que se pode fazer é que vale a pena empreender em favor do desenvolvimento da agricultura irrigada. Além das evidentes ransformações, estudos comprovam que os municípios, com esse empreendedorismo, têm logrado um constante melhoramento no IDH, têm atraído mais investimentos e são empregadores, com oportunidades de postos de trabalhos que abrigam desde os que tiveram poucas oportunidades de educação formal, até aqueles com formações mais sofisticadas e diversificadas.

No bojo dessas transformações afloram diferenciados empreendedores, muitas vezes pagadores de pedágios para abrirem e conquistarem novos mercados no Brasil e alhures, enfrentando riscos e necessidades de adequações a esses novos mercados. É nesse empreendedorismo que acontecem as demandas por diversos produtos e serviços, principalmente os de agregar mais valores, pelos conhecimentos, competências e inovações.

Esta edição da ITEM traz a programação do XXI Conird, em um especial envelope que abriga acalentadas esperanças e gratifica o universo de propósitos da ABID, como sugere a entrevista do ministro Fernando Bezerra. Desde a virada do milênio, em itinerantes parcerias anuais com uma das unidades da Federação, mesmo palmilhando e interagindo nos mais diferentes biomas, em enriquecedores convívios junto aos produtores, vendo as boas práticas, os edificantes exemplos e as inovações, a falta de um sinalizador de Brasília, quanto a um Plano Nacional para a Agricultura Irrigada, sempre aflorou.

Nesse ambiente, ano a ano, nas interações com políticas estaduais, municipais e regionais, as interlocuções com o concurso das organizações de pesquisa, de ensino e de assistência técnica e extensão rural, das consultorias nos mais diversos campos do conhecimento, das empresas de equipamentos e insumos para a agricultura irrigada, as expectativas para que haja uma diferenciada política nacional, que possa melhor atender à dinâmica dos negócios, com base na agricultura irrigada, começa a emergir.

Assim, envelopar a programação do XXI Conird com sinalizadores destes novos tempos precisa ser festejado, permeado e discutido, para que o somatório de esforços seja cada vez mais competente e com mais envoltura. Mesmo com relativamente pouca terra e/ou pouca água, a introdução da agricultura irrigada é indutora de muitas mudanças na gestão da propriedade, ao utilizar melhor os fatores de produção ao longo de todo o ano, com muitos ingredientes para harmonizar e dinamizar integrações com outras atividades, entre elas as da comercialização.

Isto requer muitas mudanças. Uma delas, muito alvissareira, que é a do governo federal colocar essa política para todo o Brasil, para que cada produtor, cada profissional ligado aos negócios da melhor exploração da terra, seja permanentemente provocado a refletir sobre essa oportunidade. Uma mudança de atitudes, como a de romper com a arraigada cultura em torno do sequeiro, introduzindo-se essa alternativa de empreendedorismo, que requer permanentes políticas e planos integrados para atender à dinâmica da agricultura irrigada.

Um processo que exige muita capacitação, estratégicos investimentos em infraestrutura e logística, em ciência e tecnologia, e diversas atitudes com uma visão holística, com permanentes ações, para que cada gota d’água que caia em cada propriedade possa ser cada vez mais produtiva. Como resultante disso: os fluxos hídricos mais regulares ao longo do ano e menos solos férteis a fazer a água barrenta fluir para o mar. Significa pensar e agir sobre a fantástica riqueza hídrica brasileira e as vantagens comparativas que fazem aflorar muitos benefícios. A programação do XXI Conird está aí para aguçar esses sentimentos em favor das oportunidades de empreendedorismo com a agricultura irrigada.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid