REVISTA ITEM - 90

Editorial - RUMINANDO BONS NEGÓCIOS

Nas diversas interlocuções ensejadas pela parceria com Pernambuco, em 2011, a importância da diversificação nas atividades agrícolas e pecuárias sempre aflorou como alternativa para um melhor equilíbrio dos empreendimentos dos mais diversos portes. Esta edição da ITEM é um dos frutos desse processo. Ao focar a agricultura irrigada para intensificar a produção de caprinos, ovinos, bovinos e outros herbívoros, tendo como centro das atenções o quanto a irrigação pode fazer em favor de melhores negócios, justifica uma acurada leitura. Trata-se de um trabalho que conta com experientes profissionais, dedicados à pesquisa e ao ensino, os quais compartilham avanços que vários produtores já têm colocado em prática nas mais diversas regiões do Brasil.

Isso deverá inspirar ricas conclusões e formulações de propostas em muitas das 12 oficinas que acontecerão no XXI Conird. Deverão permear muitas atividades no evento, entre elas a pauta das mudanças climáticas e a chamada agricultura de baixo carbono, motivo de matéria desta edição. Os ciclos do nitrogênio e do carbono vêm à tona, ao tratarmos da fantástica câmara de fermentação dos ruminantes, com um processo digestivo capaz de transformar alimentos impróprios para o consumo humano em produtos de alta qualidade biológica, com riqueza nutricional para garantir uma melhor segurança alimentar e agregar diferenciados valores. São os lácteos, as carnes, que contemplam a boa alimentação para a população, desde a tenra infância ao centenário ancião.

O rúmen tem essa fantástica capacidade de utilizar fibras das mais diferentes naturezas, de transformar o nitrogênio não proteico, como o da ureia e o do sulfato de amônia, ou de qualquer outro ingrediente orgânico ou inorgânico que entre no balanceamento da dieta, em produtos vitais para a sociedade. Nisso está um leque de alternativas de negócios com ruminantes de todos os portes, o que é muito provocativo para pujantes reflexões em torno dos negócios calcados na agricultura irrigada.

Conseguir um bom equilíbrio nas explorações das propriedades é um permanente desafio para a boa gestão. E isso é um denominador comum para todo o Brasil. Mas existe um diferenciado clamor a requerer novas alternativas, diferenciadas integrações, enfim: sair da perversa aposta de por todos os ovos numaúnica cesta. Uma das palavras de ordem: “diversificar é preciso”. Essa edição é provocativa nesse sentido, ao oferecer tecnologias para avanços e inovações na produção animal.

Dessa forma, com especial foco na irrigação de pastagens e forragens para corte, onde despontam as plantas C4, a expressiva produção da biomassa faz florescer a transformação da energia luminosa em energia química, expressa em produção de forragens de elevado valor nutricional, evidenciando-se o quanto se pode produzir em pequenas áreas ao longo de todo o ano. Nas Ciências Agrárias, trabalhar essas transformações significa explorar as vantagens comparativas edafoclimáticas do Brasil, tendo como objetivo fazer melhores negócios. A cana de açúcar, ao ser irrigada,é um exemplo disso, como evidenciado nesta edição.

Nos avanços científicos e tecnológicos, que provocam constantes inovações, merece destaque a avidez dessas plantas em absorver o dióxido de carbono, tendo sua falta junto às folhas como um dos limitantes para maiores produtividades. E é justamente desse processo que o homem pode tirar sábios proveitos, pois, ao acelerar esses sistemas produtivos, o balanço de emissões de gases por unidade de leite, carne e outros produtos será cada vez mais favorável aos programas cooperativos de irrigação na pecuária. A ABID tem procurado flamular esta bandeira, com base em exemplos demonstrativos e abnegados cooperadores em favor da evolução deste trabalho.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid