REVISTA ITEM - 82

Editorial - OS EFEITOS MULTIPLICADORES DA AGRICULTURA IRRIGADA

Uma chamada emblemática para um país que irriga tão pouco diante de seu enorme potencial! Uma chamada que haverá de permear toda a programação do XIX Conird, que enseja uma leitura detalhada e muitas reflexões. Na edição passada da revista ITEM, o editorial mostrou o sinal vermelho da fome mundial, da difícil equação para resolver a falta do poder aquisitivo para impulsionar o comércio de alimentos e fazer progredir a agricultura. E há também o desafio na produção de fibras e da bioenergia para complicar essa equação.

Fazer multiplicar a produção em equilíbrio e em harmonia com a natureza, tem uma segura passagem pela agricultura irrigada. O cooperativismo configura-se como importante feito para que o Brasil exercite e equacione esses emblemáticos desafios. Uma pequena área irrigada faz uma grande diferença na gestão e no resultado de cada propriedade. Mas exige mudanças gerenciais, bons projetos e sua viabilização através de articulados programas integrados.

A ABID tem sido convidada a participar de várias iniciativas, com o governo federal sinalizando por mudanças em favor da agricultura irrigada. Uma auspiciosa constatação diante de um setor a clamar por uma política condizente com sua importância estratégica e o potencial brasileiro para fazê-la base de grandes mudanças. O Brasil já amealhou um acervo de competências para proporcionar rápidas e boas respostas a um programa integrado, que envolva todos os agentes econômicos, ambientais e sociais, para se lograr esse almejado progresso. Nessa linha, as conferências do XIX Conird pelo cooperativismo, pelos instrumentos de desenvolvimento regional com base no conhecimento, nas inovações e na capacitação, pela necessidade dos arranjos produtivos, comerciais e permanentes buscas por novas oportunidades e pela importância do planejamento nos diversos níveis de governo, coadunam e somam a favor de uma agenda alinhada com um desenvolvimento sustentável.

Tudo a exigir uma visão holística, que faça convergir positivas medidas para que o produtor possa progredir e prosperar. Para isso, o equacionamento dos inúmeros óbices que atravancam esse almejado desenvolvimento brasileiro se faz premente. Existem bons exemplos em prática para serem multiplicados. As universidades evoluíram para suprir constantemente a pesquisa e a capacitação, a indústria de equipamentos pode atender aos mais avançados projetos e já há um acervo de experiências para nortear a logística, os mercados e tantos outros fatores para que se chegue a um bom porto. Fortalecer o produtor, que é o elo mais fraco, é estratégico.

As 12 oficinas do XIX Conird são inspiradas a concluir e a formular propostas, para que haja um ordenado legado dessas sete horas e meia de trabalho. Um somatório que haverá de refletir também o acervo das sessões pôsteres com os diversos trabalhos, as exposições nos estandes e os marcantes dias de campo, que simbolizam os efeitos multiplicadores da agricultura irrigada. Um com a tomada d’água do Rio São Francisco para adentrar o Semiárido e fazer florescer o Projeto Jaíba e, outro, com a represa do Bico da Pedra, com os múltiplos usos da água e uma gestão negociada que evidencia a importância de fazer aprimorar e multiplicar o trabalho em prol de mais represas e de maior produtividade da água.

Um cooperativismo que precisa ser aprimorado e permeado cada vez mais.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid