REVISTA ITEM - 77

Editorial - AGRICULTURA IRRIGADA PARA MAIOR SEGURANÇA ALIMENTAR E ENERGÉTICA

A gestão das Bacias Hidrográficas com o objetivo da maior oferta possível de água para a agricultura irrigada constitui sábio investimento. Já é recorrente a menção aos trabalhos, como o do Banco Mundial e outros, que evidenciam os altos retornos socioeconômicos advindos da utilização racional da água, propiciando melhor uso dos fatores de produção ao longo do ano, diminuição de riscos, com oportunidades de mais renda e multiplicação de empregos.

O Brasil tem todas as condicionantes para dar uma vigorosa resposta às necessidades de maior produção de alimentos, energia e fibras, com um ordenado trabalho em favor da inserção da irrigação junto à toda gama de produtores, criando as melhores condições possíveis de acesso à captação da água ao longo do ano, garantindo o princípio de guardar na abundância, para que haja maior regularidade no fluxo hídrico.

Essa é a chamada para o XVIII Conird, nos preparativos de um evento que terá o concurso de diversos organismos, a exemplo da Agência Nacional de Águas (ANA), em interlocuções com os parceiros da ABID em 2008, sob a liderança do governo do estado do Espírito Santo, de São Mateus – como a cidade anfitriã, sintetizando os interesses dos poderes municipais, e a Associação dos Irrigantes do Estado do Espírito Santo (Assipes), que representa os produtores, o elo crucial dos agronegócios calcados na agricultura irrigada. Tendo como cenário a região norte-capixaba e 12 oficinas cuidadosamente elaboradas, para que se aproveite ao máximo a rica programação do XVIII Conird e as interlocuções entre os interessados em cada tema oferecido, todos estarão diante de um momento para reflexões e formulação de propostas para um próspero desenvolvimento do setor.

Assim, ler esta edição 77 da ITEM é trazer à baila todo esse universo que o momento enseja, tendo o Rio Grande do Sul, com a maior área irrigada do Brasil, Estado parceiro da ABID, em 2004, com a realização do XIV Conird, brindando-nos com o Programa Estadual de Irrigação e um prático fomento voltado para a construção de pequenas barragens, justamente na linha que o governo do Espírito Santo, Estado com expressiva área irrigada, procura trilhar.

As estatísticas sobre áreas irrigadas são motivo de outra matéria desta edição da ITEM. Visualizálas diante do atual quadro mundial significa dizer o quanto o Brasil pode fazer para intensificar a produção e liberar áreas já exploradas para outras atividades, com sábios usos da irrigação. “Agricultura irrigada para maior segurança alimentar e energética” haverá de permear, cada vez mais, no âmbito dos recursos hídricos. Na grade da programação do XVIII Conird vale atentar para as oportunidades de negócios que a irrigação pode fazer vislumbrar nessas interlocuções. Escolher uma das oficinas para enriquecer os debates é uma boa estratégia.

O Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com sua rica bagagem de atuação e de planejamento, comparece com importantes alertas e contribuições em uma didática matéria, que torna o trabalho da ABID cada vez mais enriquecido.

A International Commission on Irrigation and Drainage (Icid), da qual a ABID é o Comitê Nacional Brasileiro, está especialmente empenhada na junção de esforços dos países americanos em favor da agricultura irrigada. Assim, nessa área internacional, São Mateus também irá hospedar o presidente da Icid e os representantes do IICA, que terão a função de coordenar a oficina sobre agricultura irrigada familiar. Nada mais auspicioso que poder levar a todos uma agenda tão aliciante

Ao proporcionarem um novo perfil de empreendimentos em agricultura irrigada de diferentes tamanhos, as represas serão, cada vez mais, determinantes para que se logre a prosperidade socioeconômica e ambiental. O exemplo do norte-capixaba, com a crescente demanda pela água para atender a seus múltiplos usos, inspirou muito da programação do XVIII Conird. As paisagens com seqüências de pequenas barragens nas fazendas, como a foto da capa do engenheiro agrônomo e consultor Valmir Zuffo, quando somadas a outras represas de médio e grande portes em cada Bacia Hidrográfica, remete-nos ao questionamento de como dimensionar e utilizar toda a capacidade hídrica disponível em favor de um equilibrado desenvolvimento.



Helvécio Mattana Saturnino
Presidente da Abid