REVISTA ITEM - 76

Editorial - ENDOGENIA PARA MULTIPLICAR OS BONS EXEMPLOS

As vantagens comparativas de o Brasil deter cerca de 14% da água doce do mundo, ter condições edafoclimáticas e socioeconômicas que favorecem de forma muito especial o desenvolvimento dos agronegócios calcados na agricultura irrigada, apresentam-se como das mais promissoras para um crescimento sustentável, com inúmeros benefícios.

O professor Paulo Haddad, na ITEM nº 74/75, ensinou-nos que sem a endogenia, que é constituída por capitais intangíveis, seria praticamente impossível, mesmo diante de um aparato de investimentos tangíveis em várias frentes, que uma comunidade pudesse responder a esses estímulos para progredir. Nada mais aliciante para despertar esse capital, muitas vezes latente, que o exercício em torno dos bons exemplos. Esta edição, que retrata os trabalhos desenvolvidos no XVII Conird em Mossoró e região, tendo como tema central a agricultura irrigada no Semi-Árido, merece uma leitura com essas reflexões.

A história do melão, com seus empreendedores e os naturais percalços desse pioneirismo, encontrou campo fértil, com aprendizados para fazê-la cada vez mais rica. Isso significa dizer que os pioneiros do melão semearam em campo fértil de endogenias latentes ou não, fazendo despertar e florescer os capitais humano, cultural, simbólico, institucional, cívico, social, sinergético e cognitivo, para aproveitarem ao máximo a infra-estrutura disponível, ampliá-la e melhorá-la. Esse patrimônio, muitas vezes de difícil percepção e avaliação, encontra campo cada vez mais apropriado para ser devidamente discutido e utilizado, considerandose a forte determinação de estruturar e organizar a novel Universidade Federal do Semi-Árido, em Mossoró. A expectativa, após a parceria da ABID-RN, em 2007, com as mobilizações em Mossoró e a realização do XVII Conird, é de ter na Ufersa, entre outras instituições, formas de multiplicar esse trabalho integrado, forjando-se estudos e pesquisas decorrentes desse vivo acervo, fortalecendo-se a graduação e a pós-graduação, os trabalhos cooperativos nas mais diversas frentes, contemplando-se a fruticultura, a olericultura, a pecuária de grandes e pequenos animais, a bioenergia, entre outros, como mola propulsora de inovações, para que a logística de funcionamento dessas cadeias produtivas/comerciais da agricultura irrigada, com suas mais variadas diversificações, sejam cada vez mais prósperas.

As articulações em torno dos bons exemplos fizeram de 2007 um ano muito especial para a ABID, com distinções como essas do Nordeste Setentrional, em Mossoró, até o extremo Sul, em Uruguaiana, onde amealhamos reconhecimento internacional. De ponta a ponta, está a produtividade da água, a sabedoria de fazê-la passar pelas plantas nos momentos e quantidades certas e otimizar processos para que se colham os melhores resultados. Entre eles está a drenagem, motivo de reportagem nesta edição. Desse permanente embate em favor da crescente racionalidade na utilização e conservação dos recursos hídricos, os primos Werner e Herbert Arns, com uma década de trabalhos, distinguiram a todos nós ao ganharem o Watsave Award de 2007.

Ao mesmo tempo que temos muito que celebrar, avolumam-se os desafios, a necessidade de fazer multiplicar os bons exemplos, aprimorá-los com o desenvolvimento científico e tecnológico, com a parceria anual da ABID para renovar, impulsionar e abrir horizontes nessa empreitada permanente.

Vale registrar que 2008 é um ano de parceria com o Espírito Santo, um Estado rico de bons exemplos. No bojo dessa parceria, está a realização do XVIII Conird a ensejar uma agenda para todos.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid