REVISTA ITEM - 69-70

Editorial - AGRICULTURA IRRIGADA E O CERRADO BRASILEIRO

Diante do dificílimo momento, fica evidente quão perverso é o risco da agricultura e quanto é importante buscar novos caminhos, discuti- los e propor soluções. E é justamente na sábia conjugação dos usos dos recursos naturais, com avançados manejos das bacias hidrográficas e o claro entendimento do quanto a agricultura irrigada pode ser parceira nessa empreitada, que os ganhos socioeconômicos e ambientais haverão de evidenciar-se cada vez mais, fazendo-se permear novos tempos para toda a sociedade brasileira.

Refletir sobre o que o produtor já consegue fazer em cultura de sequeiro e irrigada, as formas de gestão da exploração econômica em maior harmonia com a natureza, os avanços científicos e tecnológicos e os produtos e serviços disponíveis, deixa bem clara a importância de todos se engajarem, para que tudo evolua com os devidos respaldos, para que haja estabilidade e os produtores possam, permanentemente, ser guardiões dos recursos naturais. Isso é o que toda a sociedade espera dos agentes que ocupam cada espaço da bacia hidrográfica.

Esta edição da ITEM é especialmente enriquecida com o registro de atores da mais alta competência, que nos brindam com a antecipação preciosa de informações e de chamamentos sobre as atividades do XVI Conird, incluindo-se aí as discussões do projeto de lei sobre a política nacional de irrigação.

Esta oportunidade é ímpar para que se leia tudo cuidadosamente, para se alimentar desses subsídios e aproveitar ao máximo a presença de formuladores de políticas, de planejadores, de professores, estudantes e cientistas, de produtores e representantes de suas organizações, dos segmentos industriais voltados para o setor e seus profissionais, enfim, dos organismos públicos e privados que se fazem presentes com seus representantes.

É perseguindo essa ampla integração tecnológica, socioeconômica, ambiental, mercantil e unindo forças que haveremos de descortinar saídas para grandes impasses. A troca de experiências e de conhecimentos proporciona marcantes e oportunos resultados para o melhoramento e a implementação de negócios. Dessa interlocução, afloram também desafios para o desenvolvimento científico, tecnológico, de inovações, de logística, de gestão, de capacitação dos recursos humanos e, como já mencionado, dos mecanismos de como evoluir para harmonizar as atividades perante esse grande vilão: o risco inerente a todo o universo de produtores e dos agronegócios.

Que dessas reflexões, ao observar-se que o que há de mais perverso é o risco agrícola e que diminuí-lo não significa livrar-se dele, descortina-se então a necessidade de viabilizarem-se boas políticas em favor de um seguro profissional, com uma cesta de produtos que atenda às mais diversas situações de riscos.

O caminho é a sabedoria de compartilhar com os custos do prêmio do seguro, fazendo-o denominador comum para um sério comprometimento, com vistas à preservação dos recursos naturais e ao racional aproveitamento deles. A agricultura irrigada, como parte integrante dos comitês das bacias hidrográficas, precisa caminhar celeremente com propostas que coadunem com sua capacidade de gerar benefícios para a sociedade.

A ABID, na qualidade de Comitê Nacional Brasileiro da International Commission on Irrigation and Drainage (Icid), estará ensejando um Seminário Internacional com o concurso do presidente da Icid, trazendo maior amplitude nessa importante estratégica com o governo de Goiás em 2006. Que os embates do XVI Conird também enriqueçam mais essa importante agenda!



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid