REVISTA ITEM - 64

Editorial - IRRIGAÇÃO, DRENAGEM E CONTROLE DE ENCHENTES

Uma das grandes bandeiras da ABID tem sido a de que cada Estado tenha um especial foco na agricultura irrigada, fomentando-a. Do norte ao sul do Brasil proliferam exemplos do quanto estratégico é esse investimento. Basta a constatação das recorrentes secas ao sul, dos problemas das enchentes nas mais diversas regiões, dos veranicos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, das crônicas dificuldades do nordeste brasileiro e dos desafios que se abrem ao norte, entre muitos outros.

Ao contabilizarem-se os nefastos efeitos da falta, ou excesso, de chuvas, evidencia-se facilmente a importância dos investimentos na irrigação, na drenagem e no manejo das bacias hidrográficas, com vistas ao melhoramento da recarga dos aqüíferos subterrâneos, à contenção das águas através de represas, ao controle da erosão, enfim, à maior regularização do fluxo hídrico ao longo do ano. Tudo isso proporciona um equilibrado sistema para os produtores, ao trabalharem continuamente com esses objetivos, a fim de que cada unidade produtiva seja devidamente atendida com os recursos hídricos.

Ao final de 2003, quando do lançamento do XIV Conird, no Rio Grande do Sul, as empresas que atuam na ponta da genética do milho, já sinalizavam com produtividades comerciais de até 200 sacos de milho/ha. Qual o valor da irrigação suplementar para com o principal cereal do agronegócio brasileiro? Quanto representa essa perda recorrente, muitas vezes total, provocada pelo déficit hídrico? O que significa ficar persistindo nessa verdadeira loteria, tentando-se driblar os veranicos? Qual a solução para esse freqüente impasse?

Seja com um patamar de 200 ou 100 sacos de milho/ ha, seja com outras culturas de maior valor agregado, evidencia-se o quanto se pode implementar nas relações solo-água-planta, com a sábia utilização do acervo de conhecimentos existentes, com mais investimentos na pesquisa e mais programas de fomento à agricultura irrigada. As sazonalidades e as irregularidades das chuvas precisam ser enfatizadas, tendose o investimento na agricultura irrigada como o na- tural antídoto para essa recorrente tragédia de perdas. O risco agrícola faz da esperança dos bons lucros o pesadelo dos crescentes endividamentos do setor. Perdem todos.

Há um enorme potencial a ser explorado para reverter esse quadro. Esse potencial vai desde a utilização de águas servidas, com aproveitamento inclusive de esgotos urbanos, até uma sustentável exploração de águas subterrâneas, sem perder de vista o fantástico suprimento de águas superficiais, para fortalecer o agronegócio brasileiro com engenhosos programas de irrigação. Esta edição da ITEM enfatiza e traz reflexões sobre vários desses aspectos. Vale ressaltar o exemplo da Associação dos Usuários do Duro (AUD), no dia de campo do XIV Conird, ocorrido em Camaquã, RS. Trata-se de um trabalho que precisa permear cada vez melhor pelo Brasil, que é o da gestão compartilhada de barragens, fazendo-as cada vez mais acessíveis aos produtores. Para a realização do XV Conird, de 16 a 21 de outubro de 2005, a ABID está mais forte e mais revitalizada com a composição do seu Conselho Diretor e de sua Diretoria, que contam com a mais ampla representação. Trata-se de fruto do persistente trabalho de retomada da ABID e do crescente apoio dos vários elos desse agronegócio. Isso faz com que todos estejam engajados, para que os eventos atendam às mais variadas expectativas. Já é momento para as devidas mobilizações. Como sempre, uma imperdível agenda para bons negócios, muito aprendizado, troca de experiências e um rico convívio, com amplas oportunidades para todos.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid