REVISTA ITEM - 55

Editorial - RECADO AOS FUTUROS GOVERNANTES

O agronegócio da agricultura irrigada no Brasil tem seu desenvolvimento marcado por muitas decisões políticas. Assim, é auspicioso participar da organização e realização do XII Conird, às vésperas de uma importantíssima eleição, onde todos os candidatos buscam saídas que possam proporcionar um equilibrado desenvolvimento, com um amplo espectro de geração de empregos, com o potencial de absorver desde um analfabeto até os mais sofisticados profissionais, como os da Engenharia Genética, e dos mais variados campos abertos pelos avanços científicos e tecnológicos.

Assim, descortinam-se para os brasileiros um pujante mercado interno a ser explorado e um rico e promissor mercado externo a ser sabiamente conquistado. Existem vantagens comparativas no que diz respeito à disponibilidade de água, de solos e clima, com um semiárido único no mundo e um cerrado com muita água, enfim, um país clamando por investimentos na irrigação e drenagem para alavancar mais prosperidade, com mais oportunidades de emprego, atendendo-se às necessidades que se delineiam com os zoneamentos agroecológicos, hoje embasados em sólidos conhecimentos, sob o domínio das instituições brasileiras.

A essência dos Conirds está justamente na difusão e troca dessas experiências, diante dos balizamentos regulatórios e das oportunidades de mercado, exercitando- se uma ampla integração tecnológica entre os diversos atores dessas cadeias produtivas. Busca-se um processo dialético que abraça, desde a conservação e a captação da água, até o momento de realização das vendas dos produtos desse agronegócio com base na irrigação e drenagem, com as mais variadas formas de agregação de valores.

E é calcado nesse acervo institucional e de recursos humanos, forjado sob as mais diferenciadas políticas para o setor nessas últimas décadas, que se pode elaborar o XII Conird, retratado nesta edição da ITEM. Constata-se uma riquíssima programação que aponta para o amanhã, engrandecendo esse fórum constituído pela Abid. Um amanhã que vai precisar de firmes decisões políticas para o fortalecimento do setor produtivo, para a imediata retomada de inúmeros projetos particulares, cerceados por injunções incontroláveis, com pendências que precisam ser bem equacionadas.

Junto aos perímetros públicos, onde o privado comparece com significativos investimentos, há muito a resolver e concluir, desde a logística voltada para os ganhos em competitividade, à tramitação do projeto de lei da irrigação que empacou no Senado, ao fortalecimento e melhor ordenamento institucional, aproveitando- se ao máximo as experiências existentes e aos esforços e trabalhos voltados para o planejamento dos agronegócios calcados na agricultura irrigada. Isso significa investir em favor de mais empregos, da segurança alimentar e da prosperidade, com todas as condicionantes para que se logre também a segurança hídrica e a sustentabilidade ambiental.

Ocupada essa capacidade ociosa, condição básica para a racionalidade nos investimentos, há que se partir em paralelo para o arranjo e o fortalecimento institucional, com o ordenamento das ações. Tudo para que se possa capitalizar progressivamente sobre esse legado, constituído por recursos humanos cada vez mais capacitados, fazendo-se desse embate uma das formas de maior alcance socioeconômico e ambiental, para atender às prementes necessidades da sociedade brasileira.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid