REVISTA ITEM - 52/53

Editorial - O AGRONEGÓCIO DA AGRICULTURA IRRIGADA EM CULTIVOS PROTEGIDOS

Seja fazendo florescer belas flores na aridez de Israel, para faturar no rico poder aquisitivo da Europa, seja na produção de hortaliças no fantástico trabalho desenvolvido pelos espanhóis na região de Almeria, há um invejável cumprimento de cronogramas na entrega de produtos, atendendo a contratos firmados antes dos plantios. Um profissionalismo e uma organização que precisam ser perseguidos para que haja melhores condições de vida para os produtores brasileiros.

No vastíssimo campo dos agronegócios da agricultura irrigada, desde as chamadas biofábricas, para a produção de mudas de alta qualidade com avançados recursos da biotecnologia, até a viabilização da produção comercial de hortaliças, contornando-se as condições desfavoráveis, ao longo do ano, os cultivos protegidos configuram-se como solução.

No Brasil, já existem trabalhos competentes, de reconhecido sucesso do uso da água, com organizações de importantes clusters, a exemplo dos das regiões de Holambra, de Mogi das Cruzes e de Atibaia, em São Paulo, talvez os mais consolidados. Há, também, uma série de iniciativas em andamento, com pioneirismo, sucessos, mas também frustrações.

Nesse sistema produtivo, há uma ampla perspectiva de transformar pequenos mananciais hídricos em grandes negócios, incluindo-se aí o aproveitamento da infra-estrutura de proteção das plantas, para captação de água das chuvas. Entre esses negócios está o da hortaliça fresca, com qualidade, com boa apresentação e higiene, com maior aproveitamento e facilidade de manuseio na cozinha, com a possibilidade de estar disponível no mercado ao longo do ano. Uma saudável aspiração de qualquer comunidade.

Os setores científico e tecnológico têm importante papel a desempenhar no desenvolvimento equilibrado dos cultivos protegidos no Brasil. Não há nada mais lógico do que a produção ordenada, em série, favorecendo os cronogramas de mercado, os controles de produção e o melhor aproveitamento dos insumos, podendo-se multiplicar por várias vezes o que se produz a céu aberto. Trata-se de um negócio promissor, que exige capacitação e segura inserção no mercado, além de um diferenciado conhecimento de irrigação, de fertirrigação, de controle de pragas e doenças e de como montar uma infra-estrutura, para manter o microclima que se deseja para cada espécie de planta.

Exige, ainda, capital, mas é um investimento que pode diminuir o que há de mais perverso, que é o risco agrícola. Ao conjugar essa possibilidade com o melhor ordenamento da oferta dos produtos, abre-se a perspectiva de implementação de políticas voltadas para esse setor, com nítidas vantagens de alocações de recursos em financiamentos compatíveis com cada exploração. Assim, esta edição da revista ITEM inclui dois números acumulados. Trata da irrigação e cultivos protegidos, da fertirrigação em hortaliças, dos coeficientes de cultivos e do arcabouço institucional de Minas Gerais para tratar da água e das bacias hidrográficas.

Dessa forma, interagindo-se com diversos segmentos, trouxe à baila mais subsídios e alternativas para a racional utilização da água, e buscou exemplos, trabalhos técnico-científicos, experiências práticas, discutindo- os em reportagens com diversos colaboradores, que enriqueceram essa edição com referências e balizamentos para esse fórum constituído pela ABID, que precisa ser fortalecido e ampliado pelas ações de cada um de nós. Assim, não há como terminar sem lembrar do XII Conird e agendar Uberlândia, de 9 a 13 de setembro de 2002.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid