REVISTA ITEM - 49

Editorial - A ÁGUA É FINITA NA AGRICULTURA IRRIGADA?

A água é finita na agricultura irrigada? Certamente, esta é uma questão provocativa, que enseja reflexões. Entender e praticar a indissociabilidade água-solo-planta, com foco no uso competitivo da água e na preservação dos recursos naturais, serão motivos dos eventos conjuntos a serem realizados de 27 a 31 de agosto de 2001, no Centro de Convenções de Fortaleza/CE. A mobilização em favor do XI Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem e da 4a Conferência Inter-regional sobre Água e Meio Ambiente, com o concurso de organismos internacionais, como a International Commission on Irrigation and Drainage (ICID) e a International Commission of Agricultural Engineering (CIGR), irmanadas que são da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) e da Sociedade Brasileira de Engenharia Agrícola (SBEA), está ensejando uma crescente, positiva e alviçareira movimentação de toda a comunidade voltada para a gestão sustentável dos recursos hídricos.

Um tema muito especial para o estado do Ceará, cujo governo tem muito a oferecer de experiências e exemplos, incluindo-se aí a Secretaria de Estado da Agricultura Irrigada.

A água é finita de forma pontual, quando falta na torneira, no bebedouro, ou na irrigação, para produzir alimentos. Essa situação perversa, de conflitos e miséria, muitas vezes é decorrente da falta de recursos para fazê-la chegar na quantidade e na qualidade que se demanda em cada região ou em cada ponto. Esse tema, especialmente caro para a sociedade, motivou a parceria APDC-ABID, ensejando reflexões sobre a capacidade de o homem superar obstáculos e conseguir o manejo sustentável das bacias hidrográficas.

No sistema Plantio Direto de ponta, em culturas temporárias ou permanentes, em sequeiro ou sob irrigação, constatam-se um perfeito controle da erosão e uma melhor estruturação física e química dos solos, com melhor infiltração das águas e recarga dos mananciais. Disso resulta também a maior produção de biomassa e conseqüentemente maior capacidade de evapotranspiração, inspirando inclusive a reutilização da água, devolvendo-a com qualidade aos lençóis freáticos ou à atmosfera. Ao retirar a água, torna-se imperativo revitalizá-la a partir dos nascedouros, cuidando-se de toda a bacia hidrográfica. Assim, é legítimo argumentar sobre o desenvolvimento dessa agricultura depuradora e conservadora, que enriquece o ciclo hidrológico, minimizando situações de água finita.

No cerne dessa questão, está a evolução da agricultura irrigada, com base no pioneirismo e no exemplo marcante de muitos produtores, no desenvolvimento dos equipamentos de irrigação, já logrado pelas indústrias, e no esforço da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), que está sendo empreendido pelas universidades e centros de pesquisas.

Esta edição da ITEM procura suprir os leitores com as mais variadas entrevistas e artigos técnicos, facilitando-lhes o entendimento do agronegócio na agricultura irrigada, com especial ênfase na fruticultura, tema que enseja muitas edições.

Fazer com que programas como o Profruta aconteçam de forma próspera e sustentável passa, obrigatoriamente, pela capacidade de resposta da irrigação e drenagem, aguçando o corpo científico da Embrapa, do CNPq, das universidades, dos institutos e das empresas de P&D dos Estados, das organizações privadas, para se irmanarem nessa desafiante empreitada de fazer da fruticultura irrigada um grande negócio brasileiro.



Helvécio Mattana Saturnino
Presidente da Abid