A CAPA DA ITEM 110-111-112:

Tendo-se os Cerrados como berço de bacias hidrográficas que avançam para descortinar muitas oportunidades, eis aí um universo para instigar e a provocar a todos pelo Brasil afora. Na região do DF e seu entorno, motivo da parceria ABID-DF em 2014, virtuosos exemplos de reservação das águas e diversificados empreendedorismos com base na agricultura irrigada, evidenciaram os positivos efeitos multiplicadores das boas práticas de conservação dos recursos naturais, incluindo-se a construção de barragens de terra ao longo das bacias hidrográficas. Nesta capa, visualizamos a Estação Ecológica de Águas Emendadas e as indicações para três grandes bacias hidrográficas: a Tocantins-Araguaia, a São Francisco e a paranaíba-paraná. Oxalá, que diante as reflexões ensejadas por essa capa e o conteúdo desta edição, hajam novas luzes em favor de uma política Nacional em Agricultura Irrigada, com o governo atuando firmemente em favor de coerentes políticas para o setor. (A imagem dessa capa contou com o apoio do pesquisador Daniel Pereira Guimarães, da Embrapa Milho e Sorgo, um ativo membro e colaborador da ABID).


O BERÇO DE MUITAS ÁGUAS


As motivações para selecionar essa capa, com o simbolismo de um berço de muitas águas, estão alinhadas à gestão integrada das bacias hidrográficas e ao desenvolvimento dos negócios com base na agricultura irrigada, evidenciando-se essa fantástica riqueza brasileira, que requer sábias e consistentes políticas. O Brasil detem 12% da água doce mundial e, quando soma-se com as águas que advêm dos países vizinhos, esse percentual atinge 18%. A distribuição espacial dessas águas, a sazonalidade e a irregularidade das precipitações são um desafio para a gestão, fazendo com que, na falta de adequadas ações preventivas, aflorem pontuais conflitos pelo uso da água, muitas vezes, com duras perdas para todos.

Nesse torvelinho de faltas e excessos, reina o perverso risco agrícola, roubando a oportunidade de uma positiva e consistente capitalização do meio rural. Nada mais virtuoso que ter os adequados entendimentos e apropriadas motivações com vistas a melhor regularização do fluxo hídrico ao longo do ano, tendo-se o espaço rural como base para que haja um ambiente propício para a proliferação de bons negócios.

Diante desse quadro, descortina-se a importância de todos atentarem para uma permanente atuação em favor da segurança hídrica, alimentar, energética, ambiental e, principalmente, em favor da gestão in-tegrada das bacias hidrográficas, para que haja água para todos os usuários. É no espaço rural que estão todas as condicionantes para a melhor reservação das águas, com recarga dos aquíferos, acúmulos nos solos e barragens, normalmente de terra, com as boas práticas a disciplinarem cada gota que chega, evitando-se erosões e perseguindo-se o zero de assoreamentos. A agricultura irrigada é um mercantil atrativo para essas boas práticas de conservação dos recursos naturais. A reservação das águas para impulsionar a irrigação artificial que, em consonância com as chuvas, proporciona virtuosos empreendimentos para todos os portes de produtores, ao longo das diferentes estações do ano e nas mais diversas regiões de todo o Brasil, guardadas as especificidades, caso a caso, com muito a contribuir para a melhor regularização do fluxo hídrico ao longo do ano e melhor atendimento a todos os usuários da água. A alocação negociada das águas, os avanços com as outorgas sazonais, cada uma com suas características e necessidades, têm muito a contribuir para fortalecer negócios e mitigar conflitos pelo uso da água.

O desenvolvimento dos negócios com base na agricultura irrigada tem todos os ingredientes para alinhar-se aos demais usuários das águas, como uma ativa parceira na gestão integrada das bacias hidrográficas, inclusive no saneamento e na revitalização dos corpos d’água. Eis aí uma das permanentes agendas da ABID, em itinerantes parcerias pelo Brasil afora, sempre com o protagonismo do competente e dinâmico acervo de tecnologias e conhecimentos que o Brasil tem amealhado com as universidades, instituições de pesquisas, o elenco de empresas de equipamentos e insumos para a agricultura irrigada, as legislações em vigor e o diversificado empreendedorismo dos produtores, com muitos exemplos a serem multiplicados. Essa competência brasileira, que alcança o que há de melhor no mundo, precisa ser permeada, cada vez mais forte, no seio de toda a sociedade. Eis aí um grande mote, que tem todos os ingredientes para promover virtuosas mudanças em favor de prósperos ambientes de negócios, com a mitigação de conflitos e melhor garantia de água para todos os usuários. Na diversificada montagem dessa edição da ITEM, desde a capa, que fiquem motivações para novos tempos. Que o Governo Federal, diante sua decisão de extinguir a Senir, tenha essa holística visão para amalgamar uma Política Nacional de Agricultura Irrigada, aproveitando-se sabiamente dessa fantástica potencialidade brasileira.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid