A CAPA DA ITEM 107:
A bacia hidrográfica do rio São Francisco fez e continuará fazendo aflorar desafios, provocações e exemplos, com um amplo universo a ser prospectado. Nesse universo, há um estudo que já dura um quarto de século: o projeto Canal de Xingó. Trata-se do aproveitamento das águas do São Francisco, dentro da própria bacia, fazendo-as vetor de grande alcance socioeconômico e ambiental, antes de desaguarem no mar. Um empreendimento especialmente caro para o desenvolvimento do Estado de Sergipe. Isso fez despertar muitos questionamentos e interesses para vê-lo viabilizado. É gratificante ver desdobramentos como esse, e tê-los registrados em cada parceria anual. A elaboração da arte dessa capa contou com a colaboração da Codevasf e enriquece muito do que foi tratado ao longo de 2015 e no XXV Conird.


ALERTAS PARA A MELHOR E MAIOR RESERVAÇÃO DAS ÁGUAS


No universo das adversidades de 2015, as crises hídricas foram um dos destaques pelo Brasil afora. Seja pela falta d’água, seja pelo excesso, com marcantes desafios para a regularização do fluxo hídrico ao longo de todo o ano, uma oferta de água mais adequada para todos os usuários exige um permanente e especial foco no espaço rural. O fomento das boas práticas proporciona melhor recarga dos aquíferos, mais armazenamento de água nos solos e virtuosos empreendimentos com as barragens, tendo o assoreamento zero como meta. Esse harmonioso e próspero cenário, com amplos benefícios para a sociedade, requer a participação de todos.

A indissociabilidade solo-água no mamanejo integrado das bacias hidrográficas e o potencial das boas práticas para melhor e maior conservação dos recursos naturais fizeram permear alertas sobre a reservação e alocação das águas, como várias matérias nas edições da ITEM, ao longo de 2015, incluindo esta, com os resultados do XXV Conird.

No âmbito dos negócios calcados na agricultura irrigada, com as itinerantes parcerias anuais celebradas pela ABID, o estado de Sergipe proporcionou muitas dessas reflexões, tendo o farol, na foz do Rio São Francisco, para provocar a todos sobre essa bacia hidrográfica de integração nacional. Com a abordagem de vários negócios proporcionados pela reservação e alocação das águas para a agricultura irrigada e demais usuários, respeitando toda a regulamentação, é imperioso que haja governança para ampliar e melhor regularizar a coleta das chuvas e a oferta de água. Programas, como o do “Produtor de Águas”, promovido pela Agência Nacional das Águas (ANA), dentre outros, têm permeado atividades da ABID ano a ano, com temas que vão do local ao internacional.

Ao final de 2015, por iniciativa de funcionários da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco, Parnaíba, Mearim e Itapecuru (Codevasf) e outras instituições, realizou-se o “Seminário Solo e Água no Contexto de Desenvolvimento em Bacias Hidrográficas”, organizado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa Agropecuária e Florestal (Sinpaf) e colaboradores, no auditório da Codevasf, em Brasília, com uma especial distinção aos trabalhos de retomada da ABID e dos persistentes focos nas integrações de esforços em favor desses propósitos.

Com esses estímulos, a ABID continuou engrandecendo-se para avançar cada vez mais e melhor, tendo como base o acervo dessas edificantes parcerias anuais. Em 2016, com Mato Grosso, serão diversos desdobramentos, coroando-os com a realização do XXVI Conird em Cuiabá.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid