A CAPA DA ITEM 106:

A cultura do coqueiro anão irrigado, ao ilustrar a capa desta edição da ITEM, além de simbolizar uma homenagem às parcerias público-privadas na pesquisa agropecuária, retrata o empreendedorismo na agricultura irrigada no nordeste brasileiro. Com essa foto, em uma das Fazendas Obrigado, projeto do Grupo Aurantiaca Agrícola, na Bahia, evidenciam-se as oportunidades de negócios com agregações de valores em cadeias agroindustriais, tendo-se a água como vetor para esses avanços. Muito desse desenvolvimento conta com a base em Aracaju, Sergipe, sob a responsabilidade da Embrapa Tabuleiros Costeiros e de suas parcerias, que vão do local ao internacional. (Foto da Aurantiaca Agrícola).


Editorial - AGRICULTURA IRRIGADA PARA DESCORTINAR BONS CAMINHOS

O precioso trabalho de reservação das águas, com a melhor regularização do fluxo hídrico ao longo do ano, é o que existe de mais virtuoso para mitigar os danosos efeitos das secas e das enchentes. Essa governança requer o entendimento e a participação de todos, e é nesse ambiente que o Brasil tem muito a prosperar com os empreendimentos em agricultura irrigada.

A água é vital na produção de alimentos, e a agricultura irrigada tem todos os fundamentos, em uma gestão integrada das bacias hidrográficas, para se apresentar como parceira de todos os usuários da água, na busca de segurança hídrica, alimentar, energética, ambiental e de bem-estar das populações.

Trata-se de um permanente desafio, que requer um claro entendimento: é no espaço rural, no universo de toda a gama de produtores, que estão as oportunida-des de fomentar as boas práticas de conservação dos recursos naturais, com as indissociáveis relações entre a água e o solo. Nos outros espaços, como os das áreas urbanas, predomina a impermeabilização.

Tratar do uso harmônico e equilibrado da água significa saber reservá-la e alocá-la, exercitando todas as interfaces existentes. A hidrogeologia ensina boas práticas de explorações integradas das águas superficiais e subterrâneas. Dependendo da situação, um ponto de conflito do hoje reflete a falta de uma recarga de anos passados, quando erosões e enchentes provocaram perversos desastres.

A nota 10 é para aquele produtor que não deixa escapar nem uma gota que cai em suas terras. E, no momento de irrigar, seja capaz de fazer mais e melhor com cada metro cúbico de água captada para atender seu negócio. Ou seja, que ele se sinta determinado a proporcionar a maior infiltração das águas e em condições, além de fazer essa recarga dos aquíferos, ter estímulos e apoios para outras reservações, a exemplo das barragens de terra.

A praticidade para segurar a água, desde a montan-te, utilizando-a na agricultura irrigada, para multiplicar esses empreendimentos ao longo das bacias hidrográficas, precisa ser exercitada permanentemente. A irregularidade e a sazonalidade das chuvas fazem da reservação e da alocação das águas um desafiante tema.

Nas itinerantes parcerias anuais da ABID, desde a virada do milênio, já foram vistos edificantes exemplos, em prática há anos, fazendo multiplicar inúmeros benefícios para toda a sociedade. Há muito aprendizado para ser devidamente aproveitado.

Nesse cenário, com a integração entre os usuários da água, é estimulante verificar o quanto pode ser feito com as energias eólica, solar, atômica, de biomassas e mesmo das termoelétricas, com o claro entendimento do quanto representa o metro cúbico de água na produção de alimentos e/ou biomassa e o quanto representa esse m³, ao passar por uma turbina de uma hidrelétrica.

A sábia diversificação da matriz energética, além da maior segurança para o setor, traz à baila as vantagens comparativas com alocações negociadas da água. O Brasil é abençoado por ter essas maravilhosas perspectivas, presentes e futuras.As interdependências, as complementaridades e os sinergismos entre os diversos usuários da água precisam ser trabalhados cada vez melhor, somando-se esforços.

A realização do XXV Conird, que tem todos esses ingredientes em sua programação, com o somatório de esforços proporcionado por essa parceria com Sergipe em 2015, enseja a coleta de pertinentes conclusões e formulações de propostas com vistas ao desenvolvimento dos negócios calcados na agricultura irrigada, cujo alcance socioeconômico vai do local ao internacional.





Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid