A CAPA DA ITEM 104-105:

O simbolismo de um farol, com provocativas visões. Nessa foto, temos a instigante imagem da Foz do Rio São Francisco, hoje com cerca de 1.000m³/segundo desaguando no oceano. As reflexões sobre a bacia hidrográfica de integração nacional, que abrange uma área de 638.576 km², percorre 521 municípios, atende a uma população de 14,2 milhões de pessoas, com utilização das águas em diversas hidroelétricas, abastecimentos urbanos e industriais, e muitos empreendimentos calcados na agricultura irrigada, cujo negócio tem um imenso alcance socioeconômico, com geração de renda, de empregos e de muitas oportunidades de desenvolvimento nas mais diversas regiões. Uma indelével imagem para enriquecer o XXV Conird.


Editorial - NA FOZ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL

Estar na foz da bacia hidrográfica do rio da Integração Nacional é um dos privilégios proporcionado pela parceria com Sergipe em 2015. Há uma diferenciada provocação no que tange a gestão integrada das bacias hidrográficas, para se ter mais segurança hídrica, alimentar, energética e bem-estar das populações. Nos desafios de impulsionar a agricultura irrigada, nada mais pertinente e oportuno que relembrar e prestar homenagens póstumas às perdas de dois professores que dedicaram grande parte de suas vidas em prol desses relevantes feitos. Através deles, a lembrança de tantos outros que precisamos referenciar.

Ao professor Daker, que no alto de sua invejável bagagem sobre a Gestão dos Recursos Hídricos e o Desenvolvimento da Agricultura Irrigada, sempre defendeu e propalou o quanto o Brasil poderia ganhar dentro da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, desde seus afluentes, nos Cerrados, até avançar pelo Semiárido e chegar à Foz. O professor Daker, com as motivações que teremos no XXV Conird, como as do Projeto Canal de Xingó, estaria enriquecendo os debates em favor de mais agricultura irrigada em Sergipe e em Alagoas, fortalecendo essas derivações de água dentro da Bacia Hidrográfica, gerando riquezas e postos de trabalho, antes de essas águas chegarem ao mar. Tive o privilégio de ser aluno do professor Daker e de tê-lo como conselheiro em diversas oportunidades, daí essa certeza.

Ao professor Antonio Alves Soares, vale destacar a mobilização sempre feita por ele, na pós-graduação e na graduação, desde a retomada da ABID. Como exemplo, em 2003, para facilitar os estudantes irem a Juazeiro, BA, ele organizou a lotação de um ônibus que saiu de Viçosa, para aproveitar ao máximo a programação do XIII Conird. Lembro-me que no Dia de Campo, na Agrovale, sobre irrigação de cana-de-açúcar, ele convocava os estudantes para verem demonstrações de diversos sistemas, organizando fotos para suas futuras aulas e instigando a todos sobre essas oportunidades. Uma atitude que dignifica e homenageia esforços de professores em prol da boa formação de seus alunos e orientados, para fortalecer a capacitação de maior massa crítica de profissionais em favor da agricultura irrigada. O convívio com professor Antônio Alves Soares faz sentir a perda de um amigo e de um brilhante profissional que, seguramente, estaria ombreando e enriquecendo, em muito, os trabalhos proporcionados por essa parceria da ABID com Ser-gipe em 2015, com a realização do XXV Conird, de 8 a 13/11/2015, na UFS e no Estado.

Desde a virada do milênio, nessas itinerantes parcerias anuais da ABID, sempre aflora o por quê se irriga tão pouco? Ao deter a maior quantidade de água do mundo, com as demais condições edafoclimáticas que favorecem expressivas taxas de fotossíntese ao longo de todo o ano, há muito a aproveitar com essas dádivas! Diante do alcance socioeconômico desse empreendimento, é inquietante constatar que o Brasil irriga uma área equivalente a 10% do que China ou Índia irrigam, e a 20% da área irrigada dos Estados Unidos, dentre diversas comparações que podem ser feitas.

A partir da capa desta edição, com o Farol na Foz do Rio São Francisco, há muito que mirar para toda essa Bacia Hidrográfica, tendo-a como motivações que vão do local ao internacional. No bojo dessas interlocuções, destaca-se a busca pela melhor regularização do fluxo hídrico ao longo do ano, com maior oferta de água para todos.

Com a maior recarga dos aquíferos, com mais pequenas barragens para a irrigação, a mitigação de áreas de conflitos pelo uso da água fica evidente. A reservação e o inteligente uso da água, além de driblarem a perversa irregularidade das chuvas, proporcionam uma agricultura com positivos benefícios para toda sociedade.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid