REVISTA ITEM - 103

Editorial - AGRICULTURA IRRIGADA: UMA PARCERIA NA GESTÃO INTEGRADA DOS RECURSOS HÍDRICOS

Desafiadores cenários futuros desaguam no socio-econômico e no ambiental. Nesse desaguar, as crises de abastecimento de água estão a exigir atitudes firmes, com base principalmente na gestão inte-grada dos recursos hídricos, superficiais e subterrâneos. O espaço rural precisa ser visto como o que há de mais factível para proporcionar a maior reservação das águas e melhor regularização do fluxo hídrico ao longo do ano. Ao descortinar 2015, nada mais oportuno que atentar para esse leque de oportunidades.

Na região do Distrito Federal e do seu entorno, com diversos municípios de Goiás e Minas Gerais, a partir de demonstrações práticas, empreendimentos já com décadas de existência, cooperações que vão do local ao internacional, foram evidenciados os alcances da reserva-ção e alocação das águas para a agricultura irrigada, com mais segurança hídrica e alimentar para toda a sociedade. Nesta edição da ITEM há esse chamamento com base nas parcerias de 2014.

A realização do XXIV Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem em Brasília (DF), com foco nessa região e com uma ampla integração tecnológica, científica, socioeconômica, ambiental, de logística e mercantil, e envolvimento dos mais diversos atores, contou com o sistema CNA-Senar, cuja capilaridade tem muito a contribuir em todo o território brasileiro. A cada reportagem, notícia ou artigo desta edição, há muito a buscar de mais informações, podendo-se recorrer em www.abid.org.br e outras fontes, para aprimorar esse processo interativo.

A governança do solo e água, como pilar para as boas práticas de conservação dos recursos naturais, tem na recarga dos aquíferos e nas barragens, os sinergismos e complementaridades para segurar, ao máximo, a chuva que cai em cada propriedade. Essa é a base para uma boa gestão, com a coleta e armazenamento das chuvas, melhor ordenamento do fluxo hídrico ao longo do ano, mais disponibilidade de outorgas de água para a agricultura irrigada ao longo das bacias hidrográficas.

Com essa visão holística, em itinerantes parcerias anuais, os focos em diferentes regiões pelo Brasil afora, a ABID tem logrado ricas interlocuções e retratado muitas aspirações, considerando-se o potencial de ter a agricultu-ra irrigada em todo o universo de propriedades e toda a gama de produtores. Basta iniciar pelo alcance nutricional de uma pequena horta, com alocação da pouca água que se pode colher em rincões de seca e pobreza, bem como do cultivo protegido ao lado do Rio Amazonas. Para todos os portes de produtores, minimizar o perverso risco agrícola, praticar uma agricultura sem parar, descortinar as cadeias de negócios, com mais geração de riquezas e empregos, acesso aos mercados interno e externo, são predicados dos negócios calcados na agricultura irrigada, que podem proporcionar um amplo e sustentável desenvolvimento.

O Brasil conta com exemplos de empreendedorismo, com uma base de universidades com exitosas pós-graduações, organizações de pesquisa, um aparato institucional público e privado, incluindo-se aí empresas fornecedoras de equipamentos, insumos e serviços para a agricultura irrigada, com acesso ao que há de mais avançado no mundo. Mas é justamente diante desse quadro que paira a pergunta: por que ainda se irriga tão pouco mesmo com todo esse potencial existente? Em 2013 e 2014, com o concurso de representantes do acordo interministerial para impulsionar a agricultura irrigada, foram discutidos e acertados, nas mais diversas atividades do XXIII e XXIV Conird, subsídios para regulamentar a Lei 12.787/13, com o objetivo de delinear as melhores políticas para o setor. Diante das expectativas para esses desdobramentos, a ABID, em parceria com o estado de Sergipe em 2015, na região do Semiárido, com a Universidade Federal de Sergipe tendo colocado suas facilidades físicas e sua capacidade científica e operacional para a realização do XXV Conird, na semana de 08/11/2015, vislumbra-se uma ímpar oportunidade de mais integrações de esforços. Ao celebrar essas parcerias que estão sendo catalizadas, a di-reção da ABID tem sentido as expectativas de todos para que esses acalentados avanços em favor da agricultura irrigada sejam devidamente estabelecidos pelo governo que se instala em 2015.



Helvecio Mattana Saturnino
Presidente da Abid